HQs abordam protagonismo de pessoas negras na ciência e são mais um recurso para implementar a Lei 10.639/2003 na sala de aula

Imagem: montagem feita no aplicativo Layout

Por Raulino Júnior ||RauLendo: leituras em pauta|| 

Se o assunto é ciência, tem povo negro envolvido. Essa premissa fica evidente durante a leitura das histórias em quadrinhos Meninas e Mulheres na Ciência e Entrevistas Além do Tempo, que são fruto da pesquisa de pós-doutorado do pedagogo Carlos Antonio Teixeira, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). De uma forma bastante interessante e didática, Carlos apresenta aos leitores histórias de homens e mulheres que contribuíram (e contribuem!) para o avanço da ciência no Brasil e em algumas partes do mundo. Além do interesse por essa importante área do conhecimento (que, no atual contexto em que estamos, se tornou ainda mais fundamental!), os personagens citados na narrativa têm outra característica em comum: são, predominantemente, negros.


Em Meninas e Mulheres na Ciência, o autor conta a história de Cibele, uma adolescente que quer ser cientista. O interesse dela desperta a curiosidade de dois amigos, Lúcia e Adriano, que começam também a se interessar pelo tema e fazem pesquisas para saber quais foram as principais cientistas negras brasileiras do passado e do presente. Assim, conhecem Enedina Alves Marques, Viviane dos Santos Barbosa, Sônia Guimarães, Lélia González, Anita Canavarro, Jaqueline Góes e tantas outras. 

Já Entrevistas Além do Tempo é uma daquelas histórias de aventura que prende os leitores e que despertam a vontade de participar dos acontecimentos. Os amigos Miguel, Júlia e Artur têm que fazer uma pesquisa sobre cientistas negros e negras, do Brasil e dos Estados Unidos, que contribuíram para o bem da humanidade. Através de um sonho de Miguel, entram numa máquina do tempo (a Wardrobe Time One) e viajam para várias fases da História. Com esse feito, conseguem entrevistar Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson (as matemáticas da NASA); Ben Carson e Vivien Thomas (do Hospital Johns Hopkins); Marcelle Soares-Santos, Alan Alves Brito, Rita de Cássia dos Anjos, Denise Rocha Gonçalves e Eliade Ferreira Lima. O final é bem surpreendente! 

As duas HQs são um ótimo motivo para professores implementarem o que está preconizado na Lei 10.639/2003 porque têm linguagem de fácil compreensão, usam um gênero textual que crianças e adolescentes gostam e estão disponíveis em PDF. Embora se saiba da importância da Lei como instrumento de combate ao racismo, ainda é muito tímida a forma como as unidades de ensino da educação básica introduzem os conteúdos relacionados à história e cultura afro-brasileira na sala de aula. Isso precisa ser revisto. E com urgência!

Referência:

TEIXEIRA, Carlos Antonio; VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Meninas e mulheres na ciência. São Paulo, SP: Relevos Borges, 2020.

TEIXEIRA, Carlos Antonio; GRANIERI, Vicente de Paulo. Entrevistas além do tempo. São Paulo, SP: Relevos Borges, 2021.

________________________

É Desde! É Dez! É DEZde!

Postar um comentário

0 Comentários