Telma Parizi faz questão de dar corda à arte na sua vida

Artista plástica de São José do Rio Preto destaca a importância da expressão artística na sua trajetória e formação cidadã

Telma Parizi: "Sou uma mulher que respira arte". Foto: Henrique Strazzi

Por Raulino Júnior ||Domingueiras: entrevistONAS de Domingo|| 

Telma Parizi Nenevê nasceu em São José do Rio Preto, mas, recém-nascida, foi morar em Cianorte, no Paraná. Na década de 1980, voltou para a cidade de origem e, até hoje, reside lá. "Cianorte era uma cidade que estava 'começando' e nosso avó materno estava construindo um cinema. Uma cidade que até hoje é muito arborizada. Íamos a pé para a escola e passeávamos por mata nativa intacta. Também passava as férias de julho na fazenda de meu avô e de meus tios. O contato com a natureza e animais me encanta nos seus menores e maiores movimentos, cores e formas. Sempre foi uma constância em minha vida", recorda. Filha de Edory Nenevê (oriundo de imigrantes franceses) e de Altair Parizi Nenevê (oriunda de imigrantes italianos), Telma é mãe de Gabriela Parizi Wehrs e irmã de Sandra Parisi Strazzi. A artista plástica, que faz esculturas com cordas, acha que a arte que desenvolve tem a função de questionar, de incitar a curiosidade das pessoas. Nesta entrevistONA, feita por e-mail, Telma fala sobre carreira, destaca artistas que admira e diz como se via há dez anos: "Era uma mulher que estava acomodada com o cotidiano, sem muitos movimentos". Leia e fique à vontade.

Desde que eu me entendo por gente - Quando começou a fazer esculturas com cordas?

Telma Parizi: As esculturas em corda surgiu em 2019. Desde muito nova, sempre fiz muitos cursos com macramê, vitral, texturizaçao de parede, restauração de móveis, biojoias, desenho; sem saber que um dia podia usar alguns conhecimentos para desenvolver trabalhos diversos em cordas, onde desenvolvi uma técnica em que mudo a estrutura original, dando assim vida, cores, movimentos à forma que ela mesmo me dá. Brinco que tem "vida própria", trabalhando com  outros materiais como alumínio, sementes e outas coisas que viram.

Desde - Fazendo uma analogia com a sua arte, para você, quais são os principais nós do Brasil?

TP: São tantos NÓS que ficaria dias pra enumerá-los. 

Desde - Quais são os artistas que admira na sua área?

TP: Sheila Hicks, Kiyomi Iwata e Gunta Stölzl.

Desde - Além das artes plásticas, quais outras artes te mobilizam?

TP: Cinema, música, teatro e artes visuais.

Desde - O seu avô foi fundamental para a sua formação artística?

TP: Meu avó materno, na década de 1960, construiu um cinema em Cianorte, uma cidade do interior do Paraná, onde morávamos. Na rua de trás do cinema, era o fundo de nossas casas e de meus tios também. Nossa brincadeira era o bastidor, onde íamos de carriola buscar os rolos de filmes que vinham. Às vezes, de ônibus, com o Sr. Fritz, que era um alemão que cuidava da projeção dos filmes e da casa das máquinas. Tive contato também com os pintores de grandes painéis que ficavam na frente do cinema, para divulgação dos filmes. A partir dessa experiência capitaneada pelo meu avô, começou a minha percepção na arte visual, na música, na dança. Em tudo que o cinema proporciona. Foi um divisor de águas, pois, até então, a gente só tinha isso de diversão. Hoje, vejo como foi mágica a nossa infância. Era a rua da família, onde tios e primos moravam, todos vizinhos.

Minha arte é instrumento de questionamento, curiosidade, indagação e beleza.

Desde - O que você faz questão de entrelaçar na sua vida?

TP: Conhecimento e  amizades com afinidade.

Desde - Qual é, para você, a função da arte que faz?

TP: Questionamento, curiosidade, indagação e beleza.

Desde - Beto Carrazzone é um verdadeiro mecenas de São José do Rio Preto. Qual é a importância dele no seu fazer artístico?

TP: Beto Carrazzone e Tida Ricco (também artista plástica) são amigos de muitos anos. Logo que mudei de Cianorte pra Rio Preto nos conhecemos e são importantíssimos na minha descoberta como artista. Fui incentivada a liberar meus conhecimentos anteriores com a arte e soltar a imaginação. Eles sempre  me apoiando e trocando ideias.

Desde - O "Parizi" é de origem italiana? Conta um pouco da história.

TP: Parizi é de origem italiana, de parte materna. Minha avó, Zelanda Negrelli Parizi, italiana, vem para o Brasil com sua família, na Primeira Guerra Mundial, para trabalhar em lavoura de café, de propriedade do meu bisavô, na cidade de Santa Adelia, SP. Na ocasião, meu avô Aurélio Parizi adquiriu umas terras perto de Votuporanga, SP, e começaram a construir família. Em São Paulo, tem a cidade de Parisi, assim ,com esse mesmo. Acho que e o meu Parizi foi erro de cartório.

Desde - Quem era a Telma de dez anos atrás?

TP: Dez anos atrás eu era uma mulher que estava acomodada com o cotidiano, sem muitos movimentos. Hoje, sou uma mulher que respira arte, durmo e acordo pensando. Uma inquietude em descobrir materiais, formas e cores. Me reinventei, sou muito mais feliz.

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GALERIA TELMA PARIZI






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É Desde! É Dez! É DEZde!

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2 Comentários

  1. Conheci Telma em Arraial D’Ajuda em 2015 . De lá pra pra cá não perdemos mais o contato . Sua sensibilidade é singular. Tenho certeza de que a sua arte retrata muito da sua beleza interior .

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    1. Que maravilha, Sandra Martins! Também tive a mesma impressão ao conhecer o trabalho de Telma. Obrigado por passar por aqui. Volte sempre! :)

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