Se o meu inbox falasse...

Imagem: reprodução do site Harvard Business Review

Por Raulino Júnior ||Desde Já: as crônicas do Desde|| 

Já pensou sobre isso? Se o seu inbox falasse, o que ele diria? O que ele diria sobre o você que você já foi e sobre o você que você é? Outro dia, parei para ver algumas mensagens privadas que recebi (e recebo!) e foi um exercício muito divertido. Repensei muitas coisas, considerei outras, fiquei constrangido com coisas que escrevi e com coisas que li. É, de fato, uma viagem muito interessante, porque o inbox é o banheiro da rede social digital, não é? Não é à toa que essa parte é "privada" (por favor, ria desse trocadilho infame!😂😂😂). Nele [o inbox], tudo é mais íntimo, fala-se sobre todos os assuntos e você se sente muito mais à vontade do que na timeline. Não que você crie uma personalidade pública "arrumadinha" e uma privada "desarrumada", mas tudo contribui para a intimidade ser mais presente no inbox e você falar coisas que não falaria publicamente. E já que fiz uma associação anterior com uma parte da casa, pergunto: você já lavou roupa suja pelo inbox? Eu já.

Lavei bem lavada e não me arrependo. Foi importante. Por aqui, tudo é válido e faz crescer. Tudo é válido e forma o ser. Filosofias à parte, discutir por inbox é muito comum e é visto como uma postura mais educada, porque ninguém fica exposto. Pode ser... Não tenho tanta certeza disso. Enfim... No meu caso, foi uma discussão sobre o fazer jornalístico. Sempre estou atento a isso e acho que refletir sobre a prática é dever de todo e qualquer profissional. E rolou muito print para ajudar na argumentação, citações acadêmicas. Foi coisa séria. Em todos os sentidos!

Essa varredura pelo inbox me estimulou a fazer uma experiência: recordar conversas que tive com uma pessoa específica, que nunca mais interagi. É incrível como a gente se distancia e, ao mesmo tempo, se reconhece muito naquilo que a gente escreveu há quatro, cinco anos... Vi os pontos de semelhança com a pessoa, as nossas diferenças, os nossos anseios, a torcida mútua. Entretanto, no fundo no fundo, concluí: era uma relação fadada ao insucesso. Não ia adiante. Como não foi. Menos um amigo.

Se o meu inbox falasse, ele ia falar de divulgação de oportunidade de trabalho para aquele colega da época da faculdade que gostava de arte; de estímulo para que a pessoa corresse atrás do sonho que tinha; de briga, conflitos, discussões; de muitas risadas e segredos; de início de namoro, convites, coisas que não podiam ser ditas nem divulgadas ainda; de falta de respostas, tanto minha quanto dos interlocutores (não por maldade. Por não ter visto ou não ter lembrado de responder mesmo!); de organização de trabalho de alguma disciplina; de novidades da vida pessoal e profissional; de coisas que só podiam (e deviam) ser ditas por ali; de frieza, ajuda e estímulo mútuos; de perrengues, carinho e atenção; de papo cabeça, debates acadêmicos; de marcação de encontro em turma ou individual, para jogar conversa fora; de indicação de trabalho; de muitos links sobre tudo; de investigações, compartilhamento de angústias, convites para projetos...

O meu inbox me faz rir em vários momentos, refletir e até ficar triste. A gente pensa nas coisas que já aconteceram, nas respostas dadas, nos motivos de distanciamentos e de aproximações. "Se o meu inbox falasse...", inclusive, seria um bom mote e nome para espetáculo de stand-up comedy. Acho que a plateia ia gostar de saber de algumas histórias das pessoas. Enfim... É uma ótima experiência olhar para ele com mais atenção. Superindico!

Sigamos. 

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É Desde! É Dez! É DEZde!

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