A dificuldade de dizer "Não sei", "Não entendo", "Não é a minha"

Imagem: reprodução do site DepositPhotos

Por Raulino Júnior ||Desde Já: as crônicas do Desde|| 

No passado, Sócrates decretou: "Só sei que nada sei". No livro O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder traz uma outra e mais emblemática forma desse pensamento: "Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe". Ou seja: o importante é a busca, é estar aberto para aprender. Quem sabe que não sabe, sempre vai ter vontade de saber e vai criar estratégias para isso. Quem fica em cima de um pedestal imaginário, achando que sabe tudo, não sabe o tempo que perde alimentando essa vaidade miúda e fantasiosa.

Quantas vezes a gente está num papo bacana, com amigos, colegas de trabalho, familiares e, num determinado momento, alguém fala sobre algo de que nunca ouvimos falar, de que desconhecemos, de que não temos nenhuma referência? Inúmeras, não é? E isso é completamente natural. Ninguém sabe tudo sobre tudo, conhece tudo, entende tudo. A melhor decisão a tomar nessas situações é ser verdadeiro, pedir dois altos e falar: "Não sei nada sobre isso", "Não entendo disso", "Isso não é a minha", "Nunca ouvi falar disso, você pode me explicar?". Ter uma atitude contrária, fingir que sabe sem saber e deixar o papo rolar, é a maior prova de ignorância. Além de contribuir para ficar sempre em apuros, perdido. Nunca valeu a pena.

Falar "não sei", "não entendo", "não é a minha" é libertador. Você não se compromete com nada, só com a sua vontade de aprender. Contudo, a gente sabe que o mundo não é assim. A pretensão não deixa. Muita gente prefere fingir que sabe das coisas a dizer que não sabe. Parece que há um demérito social quando se fala a verdade. É a tal inversão de valores. "Como é que você não sabe isso?". "Simples: não sabendo". Pronto. 

A pessoa que se vê como sabichona não avança, fica sempre no mesmo lugar, porque ela acha que já não tem mais nada para aprender. Essa autoleitura de achar que sabe tudo é só mais um equívoco que gente com esse comportamento carrega. Não saber é tão bom. Eu sempre não sei.

Sigamos.

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