"Desde 1950: 70 anos da TV no Brasil": série de resenhas de produtos culturais que falam sobre televisão encerra ações que pré-comemoram os dez anos do Desde

Série é a segunda e última ação do projeto #Esquenta10AnosDoDesde

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no quarto trimestre de 2018, e que investigou o acesso à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), a TV está presente em 96,4% dos domicílios brasileiros. No dia 18 de setembro de 2020, faz exatos 70 anos da primeira transmissão no Brasil, quando a TV Tupi de São Paulo entrou no ar. E é também nessa data que se inicia a nossa nova série pré-comemorativa pelos dez anos do Desde: Desde 1950: 70 anos da TV no Brasil. Ela é a segunda e última ação do projeto #Esquenta10AnosDoDesde. A primeira foi a série Gente é pra brilhar!, que começou no domingo passado, 30 de agosto, e se estenderá até o final do ano. O aniversário de dez anos do blog será no dia 1º de janeiro de 2021.

Como vai ser

Card publicado nas redes sociais digitais, em 17 de agosto, dando pistas da série pré-comemorativa

Ao longo desses 70 anos, muitos produtos culturais tiveram a televisão como assunto: livros, músicas, documentários, trabalhos acadêmicos... A lista é infinita. Nós vamos escolher alguns deles e resenhar por aqui. Não há nada melhor do que comemorar os 70 anos da TV brasileira refletindo sobre ela, não é? Então, é isso que vamos fazer. Ler, analisar e entender o que é fazer televisão no Brasil. Esperamos, assim, contribuir para que ela seja ainda melhor nos próximos 70 anos. A nossa atração começa a temporada em 18 de setembro e termina em 18 de dezembro. Uma vez por mês, vamos falar sobre TV, sempre trazendo um produto cultural diferente. A gente quer contar com a sua audiência! 

Breve histórico da TV no Brasil


O Brasil foi o primeiro país da América Latina a ter uma emissora de televisão. A proeza aconteceu em 18 de setembro de 1950 e o responsável foi o jornalista e empresário paraibano Assis Chateaubriand, dono do conglomerado de mídia Emissoras e Diários Associados. A TV Tupi-Difusora de São Paulo entrou no ar contando com a ajuda de profissionais oriundo do rádio, que teve a sua primeira transmissão no país em 1922. O legado do rádio influenciou bastante todo o processo de implantação da TV em solo brasileiro. Não é à toa que, nos seus primeiros anos, ela recebeu a alcunha de “rádio com imagens” ou “rádio televisionado”. No artigo A TV Pública, publicado em 2000, no livro A TV aos 50: criticando a televisão brasileira no seu cinquentenárioLaurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e doutor em Ciências da Comunicação, discorre sobre tal questão com mais propriedade:

A televisão brasileira é herdeira do rádio em todos os sentidos. Dele vieram
a mão-de-obra pioneira, as fórmulas dos programas e o modelo institucional
adotado. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a inspiração estava no
cinema, ou da Europa, onde o teatro era referência importante, aqui o rádio
foi a matriz da televisão.

Seus primeiros programas nada mais eram do que o rádio televisionado. O
show de inauguração da TV Tupi de São Paulo, em 18 de setembro de 1950,
é o melhor exemplo. Foi um espetáculo de rádio realizado diante das
câmeras [...].

Contudo, essa associação do rádio com a TV não durou muito tempo. Dez anos após a primeira transmissão, ela já tinha adotado um modelo próprio de gestão e produção. A fundação da TV Excelsior, em 1960, marcou essa independência. Em seu livro A TV no Brasil do século XX, publicado em 2002, Othon Jambeiro, que é jornalista e doutor em Comunicação, afirma:

Os anos 60 marcam [...] a definitiva separação do rádio e da televisão como
indústrias autônomas: o rádio começa a se regionalizar e a procurar
específicas e segmentadas audiências; a televisão torna-se um veículo de
massa, atingindo todo o mercado nacional, e ocupando assim o papel que o
rádio tinha desempenhado nos anos 40 e 50.

A TV brasileira, obviamente, continuou passando por mudanças que caracterizariam a sua identidade. A chegada do videoteipe foi uma delas, cujo maior benefício gerado foi a implantação da estratégia de programação horizontal, fazendo com que as pessoas criassem o hábito de assistir à televisão, num mesmo horário, a fim de ver as mesmas coisas.

O desenvolvimento histórico da TV no Brasil atravessou fases de inovação, transição e de popularidade. A telenovela mostrou a sua força desde os primeiros anos e, enveredando para a sua tendência comercial, a publicidade se tornou a mandatária dos programas de TV. Muitas atrações traziam os nomes de seus patrocinadores na marca, a exemplo do famoso telejornal Repórter Esso. O também jornalista e doutor em Comunicação Sérgio Mattos, no livro História da Televisão Brasileira: uma visão econômica, social e política, publicado em 2010, demarca sete fases desse desenvolvimento: a) a fase elitista, que vai de 1950 a 1964. Nesse período, o aparelho custava caro, possibilitando apenas que pessoas da elite pudessem comprá-lo; b) a fase populista, que dura de 1964 a 1975, é marcada por um padrão mais profissional de administração, inspirado no modelo norte-americano, e a TV se consolida como meio de comunicação de massa, principalmente pelo sucesso das telenovelas; c) a fase do desenvolvimento tecnológico, de 1975 a 1985, em que a TV brasileira contou com o apoio do governo para se “nacionalizar”, evitando, assim, o excesso de programas importados na sua grade. As atrações eram produzidas com aparatos mais sofisticados; d) a fase da transição e da expansão internacional, de 1985 a 1990, que teve mudanças importantes na legislação, maior competitividade entre as redes e intensificação nas exportações de programas; e) a fase da globalização e da TV paga, no período de 1990 a 2000, em que há esforços do país para acompanhar a modernidade e a TV se adapta a isso, com o oferecimento de canais por assinatura; f) a fase da convergência e da qualidade digital, que vai de 2000 a 2010, e cuja palavra de ordem é interatividade. A TV usa a internet como uma extensão de sua grade e começa o processo de implantação da TV digital no país e g) a fase da portabilidade, mobilidade e interatividade digital, que, segundo o pesquisador, começa em 2010 e segue até os dias atuais. Nela, a convergência entre a TV e as novas tecnologias se consolida, principalmente com o uso de dispositivos móveis, como o celular digital.

Postar um comentário

0 Comentários