Música Popular Brasileira em Curso

CFA inicia curso sobre a história da MPB
Vítor Queiroz no CFA: MPB em pauta. Foto: Raulino Júnior

Hoje, o Desde inicia a série de reportagens Música Popular Brasileira em Curso, oriunda do curso livre de MPB oferecido no Centro de Formação em Artes (CFA) e ministrado por Vítor Queiroz, historiador, mestre em História Social da Cultura e doutor em Antropologia. Na primeira aula, o baião e os gêneros sertanejos estiveram em pauta. Vítor também falou sobre Dorival Caymmi e provocou os participantes ao indagar: "O que é MPB?".

A pergunta fez os cursistas refletirem sobre o rótulo e provocou um bom debate acerca do que é e de como está caracterizada a Música Popular Brasileira. "O Brasil é um país que tem uma produção de música fora do normal. A gente está imerso em música. O que eu estou chamando de MPB é música comercial brasileira, feita para vender. "Popular" no sentido de algo que é veiculado comercialmente", explicou Vítor. Nesse sentido, logo no começo da aula, ele mostrou arquivos de programas antigos de rádio, que já evidenciavam como o caráter comercial sempre esteve presente na propagação de música. "Não devemos romantizar a MPB. Ela sempre foi comercial", acrescenta.

Quem acompanhou a aula, fez uma viagem histórica através das músicas de Alvarenga e Ranchinho, Tom Zé, Mônica Salmaso, Luiz GonzagaDorival Caymmi. Isso porque Vítor fazia associações com produções do passado e dos dias de hoje, a fim de deixar evidente como a dinâmica de todo o processo de construção da MPB não mudou tanto. O professor enfatizou que estamos vivendo um momento de muitas fusões: "É muito difícil, hoje, dizer o que é samba, axé, MPB. Existe muita mistura de gêneros musicais". Uma coisa que não muda, segundo Queiroz, é a influência de Luiz Gonzaga nos artistas que fazem forró: "Todo forró feito hoje, no Brasil, vem de Luiz Gonzaga".

Anderson Costa: "Definir MPB é muito complexo". Foto: Raulino Júnior

Anderson Costa, 34 anos, professor da educação básica, pesquisador e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), avaliou positivamente o primeiro dia de curso: "É um curso bastante interessante, por retomar a história da formação da Música Popular no Brasil, desvendando coisas no debate que, de certa forma, se dá no senso comum, mas ganha profundidade a partir dos fluxos de formação da própria música. Os diálogos que acontecem durante a própria aula e as inquietações das pessoas trazem um enriquecimento e uma complexidade para o curso que, para mim, é singular e bastante importante para o meu aprendizado enquanto acadêmico e pessoa que gosta de música e de compreender a nossa história a partir da música popular". Para ele, definir MPB é difícil e complexo: "E uma diversidade muito grande pensar em Música Popular Brasileira, mas, para mim, o que resume de forma mais genérica o que seria MPB, seria o que é que o povo brasileiro produz sonoramente, dentro de uma diversidade muito grande, dentro de diversas matrizes". 

Pelo visto, a provocação feita por Vítor no começo da aula surtiu efeito, uma vez que todo mundo percebeu o quanto é complexo definir MPB. "Hoje, eu fiquei brincando com os limites do que seria MPB, no tempo e no espaço. O que é MPB? O que está dentro? O que está fora? Uma questão: num território que teve uma transformação de um país predominantemente rural para um país predominantemente urbano, em muito pouco tempo, onde estão as músicas não urbanas associadas a rural, sertanejo, caipira? Decidi começar comendo pela bordinha do prato. Em vez de chegar direto no samba, Caetano Veloso, Clara Nunes, no centro do que seria MPB, comecei pelo o que talvez fique nas zonas de sombra".

Veja, no vídeo abaixo, a entrevista exclusiva que Vítor Queiroz concedeu para o Sem Edição.

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